O professor Bakhtin e a análise sintática

Participante: Juscelino PERNAMBUCO, UNIFRAN

RESUMO

A análise sintática foi e continua sendo um fator de desmotivação nas aulas de português. Os alunos não aprendem a analisar sintaticamente um texto, porque não há metodologia adequada para o seu ensino e, principalmente, porque a teoria que a sustenta não leva em consideração a necessidade de ela estar conectada à estilística. Daí justificar-se o método bakhtiniano de ensino de gramática com apoio na estilística, apresentado no livro Questões de estilística no ensino da língua (2013). Nele, o professor Bakhtin expõe o seu método de reelaboração das orações subordinadas sem conjunções, transformando-as em subordinadas com conjunções, para que os alunos possam perceber a riqueza estilística e dramática que existe nas subordinadas sem conjunção em relação às subordinadas com conjunções. Nestas, acentua-se o formalismo da língua escrita, enquanto naquelas predomina a expressividade e informalidade da língua viva. Bakhtin (2013) apresenta seu método de trabalho, com base em exemplos tirados de textos de autores consagrados da literatura russa e detalha os procedimentos didaticamente, para que os alunos consigam aprender eles mesmos a fazer opções diante de situações em que tenham de fazer uso das diferentes possibilidades de construção textual e discursiva que a língua coloca à disposição dos falantes. Este nosso trabalho tem como objetivo testar o método bakhtiniano e verificar como se pode aplicá-lo no ensino fundamental da escola brasileira, nas últimas séries. A metodologia consistirá no experimento de reescrita de períodos compostos por subordinação e por coordenação e subordinação acompanhados de análise estilística dos efeitos de sentido obtidos com a reelaboração estilística. Espera-se com o experimento comparar as reações e descobertas dos alunos participantes dessa prática de ensino com as dos alunos descritos por Bakhtin.

PALAVRAS-CHAVE: Bakhtin; Subordinação sem conjunção.